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Sair de casa dos pais: o luto silencioso da autonomia

  • Foto do escritor: Marina Maia
    Marina Maia
  • 11 de fev.
  • 2 min de leitura
Há mudanças que parecem simples, mas mexem com tudo o que somos.
Sair de casa dos pais é uma delas. Um rito de passagem onde o desejo de liberdade convive com a angústia de uma nova vida.


O desejo e o medo da mudança

Na vida adulta, esse passo representa liberdade, crescimento e autonomia. É um momento desejado. E, muitas vezes, adiado.

Porque, por trás do desejo, existe também o medo do que vem depois.



Mudar de casa é mudar por dentro

Sair de casa não é apenas trocar de morada. É atravessar uma transformação interna.

Deixar de ser filha num espaço conhecido, para nos tornarmos nós próprias num espaço novo.

Passamos a gerir tudo: as contas, as rotinas, os imprevistos, o simples ato de saber onde estão as coisas. Essa autonomia traz responsabilidades, mas também um certo vazio. O silêncio que surge quando já não há ninguém à nossa volta.



Os pequenos lutos da autonomia

É aí que surgem os pequenos lutos.

O luto da vida antiga.

O da relação com os pais, tal como era.

O da pessoa que fomos enquanto filhas.


E há ainda um mais subtil: o de perceber que nos tornámos adultas.



A saudade do familiar

Por vezes, damos por nós a sentir falta do que antes nos irritava: as dinâmicas confusas, os silêncios, o caos familiar. Há conforto no familiar, mesmo quando nos magoa.



Espelhar as mães

Também é comum pensarmos nas nossas mães. Como conseguiam estar em todo o lado? Resolver tudo? Saber onde estava cada coisa, mesmo quando nada estava no sítio.

Sem querer, tentamos repetir esse modelo. Queremos a casa perfeita, tudo sob controlo, a sensação de dar conta de tudo. Mesmo quando sempre dissemos que não queríamos ser assim.


É quase automático. Reproduzimos o que criticámos, porque é o que conhecemos. E depois, vem a exaustão. O corpo e a mente a pedir pausa.


Vivemos num equilíbrio frágil entre o não querer repetir e o não saber ainda fazer diferente. É um processo cansativo, este de tentarmos descobrir a nossa própria forma de viver, de cuidar, de organizar. De reconstruir um modo de estar que seja nosso: interna e externamente.



O luto mais difícil

Entre o desejo de estar sozinhas e a vontade de correr para o colo da mãe, vivemos uma ambivalência constante.

Talvez este seja o luto mais difícil: aprender quem somos no nosso próprio espaço. Sem o livro de instruções de um outro.




 
 
 

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